Lagoa da Conceição: moradores e poder público debatem futuro do cartão-postal
A pressão do turismo e do crescimento imobiliário ameaça o equilíbrio ambiental da Lagoa da Conceição, um dos ecossistemas mais frágeis de Florianópolis.
A Lagoa da Conceição, cartão-postal de Florianópolis e um dos ecossistemas lagunares mais importantes do sul do Brasil, está no centro de um debate cada vez mais urgente sobre os limites do crescimento urbano e turístico na ilha. Moradores, ambientalistas e representantes do poder público se reuniram neste mês para discutir um plano de gestão que concilie preservação e desenvolvimento.
Os dados ambientais são preocupantes. Estudos da UFSC mostram que a qualidade da água da lagoa deteriorou significativamente nos últimos dez anos, com aumento de nutrientes associados ao esgoto doméstico e redução da biodiversidade aquática. A proliferação de algas, visível a olho nu nos meses de verão, é um sintoma desse processo.
"A lagoa está doente. E se não agirmos agora, em dez anos ela pode não ter mais condições de suportar a vida que a torna especial", alertou a bióloga Marina Costa, pesquisadora do Laboratório de Ecologia Aquática da UFSC.
O plano de gestão em discussão prevê medidas como ampliação da rede de coleta de esgoto, restrições à construção nas margens, limitação do número de embarcações motorizadas e criação de zonas de proteção ambiental. A proposta divide opiniões: moradores que dependem do turismo temem impactos econômicos, enquanto ambientalistas argumentam que a preservação é a única forma de garantir o turismo no longo prazo.